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FOCO NA EDUCAÇÃO – Banda de rock lança música com a linguagem neutra

No contexto educacional, a linguagem neutra ainda é considerada um desvio da norma padrão

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FOCO NA EDUCAÇÃO

De carona na linguagem neutra, a música “Namorade”, mais recente lançamento da banda Velhas Virgens, foi pensada para naturalizar o afeto entre as diferentes orientações de gênero, exaltadas nessa terça-feira, 28, data em que o mundo comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.

“Porque, afinal de contas, importante é afabilidade, fraternidade, afinidade, interesse, romance, lance, fidelidade… fe-li-ci-da-de! E tudo isso termina com “e”, como Namorade”, defende a banda que nasceu na década de 80. Os tempos eram outros, mas para Alexandre Cavalo, compositor da canção ao lado de Paulão de Carvalho, o artista não deve ficar preso ao passado. Por isso, no decorrer dos anos, a banda vem se atualizando e compreendendo sua responsabilidade para lidar com determinados temas.

“O artista não pode se dar ao luxo de ficar preso ao passado. O mundo muda e precisa de uma combatividade. Cabe ao artista também dar um passinho para frente para entender melhor o que está acontecendo com o mundo no atual contexto e todos esses movimentos que são importantes”, avalia Alexandre. O músico defende ainda que inserir temas como a linguagem neutra muito utilizada por membros da comunidade LGBTQIA+ cumpre o papel de naturalizar a vivência dessas pessoas.

“Estamos em 2022 e isso já deveria estar bastante claro na cabeça das pessoas. Acredito que deveria ser visto com naturalidade e não ter uma briga por conta disso. A pessoa é o que ela é ou quiser ser e não há nada de errado. A pessoa não tem que se prender a uma coisa em que ela não se sente bem com isso”, reflete.

A banda Velhas Virgens é composta por, além de Alexandre e Paulão, Juliana Kosso, Tuca Paiva, Simon Brow e Fil Cirilo. O single “Namorade” tem ainda a produção de Gabriel Fernandes. O lançamento ficou por conta de Gabaju Recorde e 74E. Já a capa tem arte de Juliana de Vechi, que misturou cores da bandeira da comunidade não-binária. A canção pode ser ouvida nas principais plataformas de streaming e no YouTube.

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Linguagem neutra nos vestibulares

A professora de redação Letícia Flores explica que a Língua Portuguesa, assim como qualquer outra língua, é um código, e a linguagem neutra é um código que serve aos falantes no processo de comunicação. “Se a língua serve ao falante, ela vai evoluindo, se transformando de acordo com a necessidade das pessoas. Por isso, é natural que a linguagem neutra ganhe força”, afirma.

No contexto escolar, a professora de redação acredita que é questão de tempo para que professores passem a falar sobre a linguagem neutra nas salas de aula. “Na minha opinião, o caminho é esse. Os professores vão precisar de um didatismo para ficar claro para esses jovens, e até mesmo para os pais, que é dever do professor, em seu papel social, não só transmitir conteúdo, mas de apresentar e explicar a ocorrência da linguagem neutra na nossa língua. Agora, esse conteúdo não pode chegar na sala de aula de qualquer forma. Isso tem que ser planejado porque essa linguagem ainda é considerada um desvio da norma padrão”, salienta a profissional.

Em vestibulares, como Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a professora explica que a correção da redação está submetida à norma padrão da Língua Portuguesa. Nesse caso, a linguagem neutra ainda é vista como desvio de linguagem, um vício da norma padrão, e tratando-se de uma prova o aluno está submetido às normas padrões da língua.

“Pode ser que o aluno perca ponto por usar a linguagem neutra no Enem. A penalização de cada competência acontece de 40 em 40 pontos, então você vai de 0 a 200 para cada competência e vai somando de acordo com a qualidade textual em relação a essas competências. Na dúvida, é melhor não arriscar”, defende a professora.

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Linguagem neutra e linguagem inclusiva

“Elu”, “ile”, “amigue”, “namorade” e “todxs”. Se em algum momento você passar por termos como esse, a intenção da mensagem é incluir todos os públicos através da linguagem neutra, mais utilizada por pessoas da comunidade LGBTQIA+, em especial, as que identificam com o gênero neutro ou não-binário – ou seja, pessoas que não se sentem representadas por estereótipos do gênero masculino ou feminino. Não há, então, uma “binariedade”, podendo transitar entre ambas as expressões e identidade de gênero. Há quem se sente bem e atende tanto pelos pronomes femininos ou masculinos e há quem defenda adaptação da língua portuguesa.

Já a linguagem inclusiva não tem como finalidade a modificação das palavras. A intenção aqui é eliminar traços sexistas na comunicação. Um exemplo disso é quando o gênero masculino é considerado o correto para identificar um determinado grupo, mesmo ele sendo também composto por mulheres. É comum nesses casos se falar, como por exemplo, “boa noite a todos e a todas”.

A linguagem inclusiva também pode ser feita a partir da inclusão de termos que se refiram à coletividade, como aponta o portal Politize!.

  • Por exemplo: usar “a juventude” ao invés de “os jovens”, “pessoas beneficiárias” ao invés de “beneficiários”, “diretoria” ao invés de “os diretores”, etc.
  • Escolher substantivos que representam instituições ao invés de indivíduos: “classe política” ao invés de “os políticos”, “população indígena” ao invés de “os índios”, “poder judiciário” ao invés de “os juízes”, etc.
  • Reformular tempos verbais para que as frases sejam mais inclusivas e menos sexistas: “se tiver uma melhor formação, a polícia será menos racista” ao invés de “se os policiais tivessem uma formação melhor, o racismo diminuiria”, etc.

 

 

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

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FOCO NA EDUCAÇÃO – Escrita de trabalhos acadêmicos não deve ser vista como algo extremamente complicado

Professor explica que sensação tem origem em bloqueios mentais

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Estar sempre acima da média e se destacar na turma, cobranças externas e internas, prazos apertados e
o desejo de corresponder à logica de produtividade constante são pontos que deixam o universo
acadêmico, por vezes, adoecedor. Uma pesquisa publicada na revista cientifica Nature aponta que
estudantes de pós-graduação, por exemplo, possuem seis vezes mais chances de desenvolver quadros
de depressão e ansiedade do que o restante da população. Quanto mais próximo da escrita de trabalhos
de conclusão de curso, o temido TCC, ou de teses e dissertações, esse quadro de ansiedade pode tomar
conta dos estudantes. “E, em geral, a pressão fica maior conforme o aumento da titularidade”, destaca
o professor e especialista em metodologia do ensino superior Paulo Eduardo de Oliveira.
O acadêmico explica ainda que essas questões podem ser desencadeadas pela natureza do processo de
escrita, que é, muitas vezes, solitário. “Só quem vai estar na conduta principal da construção desse
documento é o aluno. Então, o que observo é uma tensão gigante nesse momento. O que não deveria
ser, mas acredito que acontece porque a fase do TCC, por exemplo, é repleta de mitos: que é muito
difícil, que os alunos não darão conta ou que precisa ser extremamente conclusivo”, analisa o docente.

Com mais de 30 anos de experiência em bancas avaliadoras e ministrando disciplinas das áreas de
metodologia científica, Paulo avalia que essa tensão também resulta no que se pode classificar como
bullying acadêmico. Cometido entre os próprios alunos ou presente na relação entre orientando e
orientador, o bulliyng é perceptível, por exemplo, no constrangimento com aquela pessoa que pergunta
demais, muitas vezes classificada como chata e inconveniente, ou na postura “casca grossa” de
determinados professores que desacreditam na capacidade intelectual do aluno.
“Ai chegamos a um bloqueio mental – algo da ordem cognitiva mesmo – que impede os alunos de
transformarem o pensamento abstrato em concreto. Ou seja, não saber colocar no papel tudo aquilo
que aprenderam no decorrer do curso e que são capazes de fazer. ‘Professor, não consigo começar o
meu TCC’ ou ‘professor, começo e divago e travo’ são coisas que já escutei muito”, conta Paulo que
procura difundir metodologias a favor do desbloqueio mental a partir de planejamento de pesquisas
que basicamente começa com perguntas. “Até porque na ciência tudo é categorizado”, acrescenta.
É através de uma postura motivacional com os alunos que orienta que Paulo foge da lógica acadêmica
carrasca e tenta desmistificar junto aos estudantes crenças limitantes bem características nos ambientes
de produção acadêmica e científica. “Não tem nada de anormal na produção de um texto para a

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academia. Eu trabalho isso até em minhas palestras tentando quebrar essa ideia de que fazer ciência é
difícil e trabalhosa. Nós só temos que ir além dos nossos bloqueios mentais”, afirma.
Metodologia da pesquisa ao alcance de todos
Além da postura motivacional, o professor Paulo também tem se debruçado ao longo desses anos em
pensar maneiras de eliminar o “academiquês” que mais confunde do que contribui no ambiente das
faculdades. Como resultado de suas pesquisas, ele escreveu o livro Metodologia da Pesquisa ao Alcance
de Todos.
Direcionada para estudantes de graduação e pós-graduação que estão em fase de elaboração dos seus
projetos de pesquisa, a publicação demonstra de forma prática que a pesquisa científica é a relação
entre uma pergunta e uma resposta. “O livro é escrito de modo bem acessível para que os estudantes
entendam como diferenciar tema de problema, problema de problemática e identificar as questões
norteadoras de sua pesquisa, além de abordar métodos de investigação e de coleta dos dados”, finaliza
o professor, acrescentando que a obra inspirou a escrita de outras três, além de servir de base para a
realização de mentorias com mestrandos e doutorandos.
Rompendo o clico da ansiedade na escrita do TCC
Em entrevista para a Agência de Notícias Mais Educação em Pauta, da plataforma de bolsas de estudo
Educa Mais Brasil, o psicólogo Sérgio Manzione explica que a ansiedade é uma reação que se tem diante
de uma ameaça ou do desconhecido, e é quando o organismo se prepara para duas ações básicas: lutar
ou fugir. Conforme pontua o profissional, a ansiedade pode ser considerada normal quando acaba ao
mesmo tempo que a situação que a causou. Ou seja, no caso dos estudantes, ela deve sumir quando se
conhece o resultado de um trabalho acadêmico.
No entanto, existe outro tipo, a ansiedade generalizada, que muitas vezes tem causas diversas e nem
sempre definida. “Ansiedade não escolhe as pessoas, ela não vê se a pessoa é baixa, rica, pobre… é
importante frisar que não adianta tomar o chazinho que a vizinha fez, o remédio que a prima toma, não
funciona assim. Cada pessoa é diferente e deve buscar um diagnóstico correto e ajuda profissional”,
sinaliza o psicólogo.
Para aqueles que estão com comportamento ansioso porque estão nesse momento de produção
acadêmica, o psicólogo Manzione indica caminhos que podem contribuir para o bem-estar nesse
período. Confira:

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1. Aprenda mais sobre você
2. Entenda que ninguém é perfeito
3. Pare de se culpar
4. Domine o pânico
5. Viva o presente
6. Escolha o lado positivo
7. Tenha um projeto de vida

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

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