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FOCO NA LITERATURA

FOCO NA LITERATURA COM GUSTAVO DOURADO

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FOCO NA LITERATURA

Irecê, Chapada Diamantina, Bahia. Gustavo Dourado Lá na Rua do Céu contemplei o belo horizonte de Caraíbas. Na Rua da Estrela, Ulisses conversava com Senhor Benigno. Nas cacimbas da Rua da Banha, a lavanderia e as dornas de água para o povo. Feira das Frutas: pinhas, bananas, melancias, juás, umbús, os sonhos de menino. Rio subterrâneo a irrigar a fé e a esperança dos lavradores pelos baixios dos Sertões de Irecê. E a chuva sempre a se esconder além das nuvens do céu alado, sob o calor causticante da caatinga sertaneja. Pelas ruas e becos o mudo a carregar água pelas ladeiras para abastecer as famílias. Caminhões vinham do Norte, como o Nordeste era chamado em busca de nosso sagrado feijão. Foi-se um tempo que havia após a Rua do Achado a Lagoa de Tió e mais adiante a Meia Hora. Os meninos corriam pelas ruas para soltar raia e ver naves no campo de avião da Suvale. Tempos dos circos que alegravam a vida da gente, a driblar os vigias. Havia um guarda com seu pé de ema, e lá longe os tremores do Lapão. Muito se falava dos mistérios das luzes da Ladeira do Gabriel: Seria ouro encantado por ciganos, astronaves de outros mundos?! Dourados e parentes saboreavam o delicioso cuscuz à noite e de manhã, cuscuz com leite, cuscuz com ovos, cuscuz com aipim, cuscuz do bom. Volto ao meu passado, lembro de tanta coisa boa num segundo. Recordo mestres e mestras das escolas: Jaci, Silú, João, Luiz, Liobina, Ivanice, Elzi, Rená, Célia, Margarete, Dária, Zenália e tantas Marias e Josés. Como esquecer do bom tempo de menino lá na biblioteca do velho Polivalente, livros à mão cheia, a recordar o poeta condoreiro. Andava de uma ponta a outra a espantar os urubus da paisagem. Ia até a Boa Vista para ver filmes no Cine Passagem, arte na cara da gente. Almeidinha e sua fama de valente, dribles de Vavazinho, Chato, Aristóteles, Zé de Heleno, Russo, Francês, Americano, Zeni, Gilmar e Xerréu… Lembro de FNM, Damião, Lioma, Ney, Flávio, Vavá, Popó, Peu, Cacau, Budé, Bau, Pajé, Leila, Dudu, Jackson, Jorge, Saulo, Lauro, Hilda, Cida, Galvão, Carlos, Zezim, Nezim, Cicim, Cacá, Sílvio, Ubiratã, Ostílio, Edgar, Décio, Pereirinha, Cecé, Marinho, Cabecinha, Quebra de Asa, Pitú, Passarinho, Mergulhão, Saruê, Lilinha e tanta gente que ficou na memória, que daria um livro de cronicontos. Lembro do Recanto, da Rua dos Cambuís, dos Secos e Molhados, da Rua José Alves de Andrade, Rua da Matriz, Praça João XXIII, Ginásio da Fraternidade. Lembro de Dermi, Zenith, Neurizete, Nobelino, Jovita, Hermenito, Zé Bem, Figurinha, Antônio, Maninho, Diel, Teixeira, Edivaldo, Newton, Elísio, Robério, Estácio, Marcelo, Domício, Décio pai e filho, Edgar, Gilvaci, Vilna, Mirandinha, Maronita, Madeira, Valdinho, Joacy e tanta gente que o tempo não esqueceu. Em plena segunda a semana começava com uma feira infinita. As barracas dos comerciantes de rua tomavam conta de toda a cidade… Gente de todos os cantos comprava e vendia de um tudo que havia. Na antiga Capital do Feijão lembro de minha infância com saudade. Tinha até uma feira do rolo que nem preocupava o delegado. Como esquecer do casebre, das roças de feijão e das antigas fábricas de algodão?! O povo na roça, na peleja, na labuta, para vencer a seca tirana e o descaso do governo. Lembro das belas primas, tão bonitas que a fama corria pelo infinito Ser tão. Bons tempos da Apolo XI, do Cine Nunes e das partidas de futebol do Botafogo, Fluminense e Bahia. Espetáculos, apresentações, touradas, comícios, procissões, rodeios e forró pé de serra. O povo alegre ou triste conforme a chuva e a safra de cada novo ano… O cheiro da chuva que enlouquecia os bons lavradores da boa terra. Brinquei sem limites por ruas descalças e sem sinais. O tempo pairava sob o Sol e a lua cristalina brilhava poética com as estrelas, como se fosse gema de diamante. Não havia nada que nos prendessem e que nos incomodassem…nada. Agora são outros os tempos que não sabemos como seguir em frente, mas temos que prosseguir. Tudo passou como um raio, não havia internet, celular e nem computador… Nem telefone havia, nem televisão; ouvia-se rádio, pouca eletricidade, só tinha estrelicidade… Mas no coração e na memória não tem vez para o esquecimento. A vida continua, a saudade vai e vem, e nunca morrem os sonhos de liberdade…avante… Gustavo Dourado

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FOCO NA LITERATURA COM GUSTAVO DOURADO – Meu Aniversário: @gustavodourado

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Hoje, 18 de maio de 2022, comemoro mais um ano de vida.
Agradeço à divindade e à mãe natureza pela oportunidade de estar vivo, com saúde e vitalidade junto aos meus familiares e amigos.

Nasci no povoado de Recife dos Cardosos(Ibititá, Bahia), na época pertencia a Irecê, Chapada Diamantina. Logo depois foi criado o município de Ibititá, no sertão da Bahia.

Minha genealogia sertânica tem forte ascendência portuguesa sefardita, com boa mistura indígena, árabe, africana, entre outros genes ancestrais.

Sou filho do casal baiano Ulisses Marques Dourado(de Oliveira Cardoso, Seixas, Pereira, Castro, Nunes, Lemos, Xavier, Silva Dourado, Garcia Leal, Borges de Carvalho) e de Edelzuíta de Castro Dourado(Cardoso, Marques, Rodrigues, Oliveira, Machado, Miranda, Silva, Ribeiro, Nunes, Pereira, Cruz, Bastos, Abreu Neiva, Lemos).

Vivi no sertão da Bahia até o fim de 1975. Em 20 de dezembro de 1975, cheguei em Brasília, Planalto Central, onde constituí família e desenvolvi longa carreira profissional, acadêmica e cultural.

Agradeço a Deus por mais um ano de vida, na senda da cultura, da arte e da literatura. Sou grato aos familiares, parentes, amigos e amigas. A todos e a todas, saúde e paz, gratidão.

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Sigamos em frente com fé, esperança e boa vontade para construirmos um mundo mais justo, fraterno e solidário, onde prevaleça a paz, o amor e a liberdade.
Gratidão.
Abraços.
Gustavo Dourado

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