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Projeto da UFRJ quer solução sustentável para lixo flutuante no Fundão

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O projeto Orla Sem Lixo, da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está buscando uma solução sustentável para o lixo flutuante encontrado nas águas da Ilha do Fundão. “Gostaríamos muito de acreditar em soluções procedentes da bacia, de onde vem o lixo para a Baía de Guanabara e outras baías. Porém, não vemos que isso venha a acontecer em relativo curto prazo”, disse à Agência Brasil a coordenadora do projeto e professora da UFRJ, Susana Vinzon. Por isso, ela acredita que a interceptação, coleta, o transporte e a reciclagem do lixo podem ser soluções efetivas, na medida em que traga benefícios para a comunidade do entorno. “É isso que a gente está buscando com o projeto”.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), diariamente mais de 90 toneladas de resíduos, a maioria plásticos, são despejadas na Baía de Guanabara. Além do impacto negativo que isso provoca em um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, a presença desses resíduos compromete as atividades pesqueiras, os esportes náuticos e o desenvolvimento costeiro; representa um perigo à navegação e ao tráfego aéreo; e interfere no crescimento e na saúde dos manguezais, afetando a vida marinha e sua diversidade, afirmam os responsáveis pelo projeto.

Conscientização

O Orla Sem Lixo promove no próximo dia 5, às 9h, na Prainha, na Ilha do Fundão, ação de conscientização para a reciclagem, com a participação de 15 alunos de iniciação científica da universidade, envolvendo as áreas de biologia, microbiologia, química, psicologia, economia, oceanografia, entre outras, que transmitirão seus conhecimentos para a comunidade local. Os melhores comunicadores serão premiados.

A UFRJ está concluindo o projeto Parque da Orla para a requalificação do local. Durante o evento na Prainha, será feita uma pequena coleta de lixo, com o objetivo de chamar a atenção da população sobre o problema e para efeito de reciclagem, a fim de fazer ensaios de pirólise  (decomposição por meio do calor.), por exemplo. Esse é um processo onde a matéria é decomposta após ser submetida a condições de altas temperaturas. “O que você faz é recuperar o petróleo de que é feito o plástico. Você vai gerar, a partir desse plástico, uma espécie de petróleo cru que pode, talvez, voltar para a própria cadeia do plástico. A gente está levantando bandeira da economia circular, das soluções baseadas na natureza”. Tudo isso é necessário para a construção de soluções para o problema do lixo flutuante na Baía de Guanabara e em outras baías, comentou Suzana Vinzon.

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Em princípio, essa tecnologia está sendo testada. Susana não descartou, porém, que empresas possam vir a abraçar a ideia e querer levá-la adiante. No momento, a UFRJ tem uma planta de pirólise experimental, na Ilha do Fundão, que está fazendo os testes.

Parcerias

Até o momento, o Orla Sem Lixo conta com a parceria da empresa alemã Huesker, que vai fabricar material para as barreiras flutuantes a serem colocadas na Enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão, até o fim deste ano. As barreiras terão de ser abertas para as embarcações poderem passar. Até dezembro, Susana espera já ter alguns ensaios “de como a coisa pode funcionar”, porque é preciso, em primeiro lugar, construir uma tecnologia com os pescadores para fazer a coleta de lixo na água, transportando a seguir para um local de desembarque. “Esse desenvolvimento vai ocorrer este ano”.

O projeto tem o apoio de editais do Parque Tecnológico da UFRJ, da Fundação Grupo Boticário e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Susana advertiu, entretanto, que para ganhar escala e poder remunerar os pescadores, serão necessários mais recursos.

No momento, a equipe multidisciplinar integrada por mais de 70 pessoas, entre professores, alunos de graduação, mestrado, doutorado e iniciação científica da UFRJ, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), se dedica a encontrar soluções para o problema. “Para isso, estamos observando as comunidades de pesca que habitam a Baía de Guanabara, que é afetada pela quantidade de lixo que há nesses corpos d’água, resultando na falta de peixe, em problemas com redes, com motores das embarcações”.

Susana lembrou que são comunidades muito afetadas e que podem se interessar em participar de uma cadeia produtiva desse lixo flutuante. Ela explicou que o lixo flutuante é constituído, em sua grande maioria, por plástico, que tem algumas alternativas, entre as quais a reciclagem química, um dos processos em que o projeto está mais focado. A ideia é que, com o processo da pirólise se obtenha valor agregado maior desse material que vem contaminado e degradado e que, para a reciclagem tradicional, não encontra mercado. Essa é uma das linhas de ação do projeto: ver que tipo de reciclagem poderia dar um retorno econômico para pagar essa cadeia produtiva, criando um modelo de geração de trabalho e renda.

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Recuperação ambiental

Ao mesmo tempo, o Orla Sem Lixo tem foco na recuperação ambiental da orla da Ilha do Fundão, que está muito degradada pelo lixo flutuante. “A gente vai desenvolver um projeto, em um dos ambientes próximos da Cidade Universitária, para testar o conceito, onde participam os pescadores sediados na Ilha do Fundão. Mas nada impede de abrir para outras comunidades”. Outra fonte de renda para que essa solução seja sustentável é a própria preservação das áreas de costa. Daí a importância de entender os ecossistemas para que quando houver “um ambiente saudável, pelo menos sem lixo, você possa pensar em alguma recuperação”, disse a coordenadora.

Desde que foi lançado, em setembro do ano passado, o projeto avançou muito na interdisciplinaridade, porque vai proteger área de manguezal. A ideia é ver, após a instalação das barreiras e da limpeza do local, como ele se recupera. “Estamos monitorando hoje a floresta de manguezal, mas também os caranguejos que ali vivem, para ver os impactos, para quando colocar as barreiras e recuperar o ambiente, poder medir o impacto do lixo”. O projeto deve ser concluído em três anos. A ideia é, nesse prazo, ter a praia da Ilha do Fundão recuperada.

O trabalho acontece na Enseada de Bom Jesus e foi organizado em frentes que monitoram áreas de manguezal e as comunidades de caranguejo; analisam a condição atual da qualidade da água e do sedimento; levantam as condições ambientais (ventos, ondas e correntes) onde estão sendo instaladas as barreiras do lixo flutuante; colocam mostradores para quantificar o lixo em diferentes profundidades da baía. Plataformas remotas, drones, metodologias de detecção automática e inteligência artificial são algumas das tecnologias utilizadas pelos pesquisadores.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Geral

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DF abre concurso para contratação temporária de brigadistas

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O Instituto Brasília Ambiental (Ibram-DF) abriu inscrições para o processo seletivo simplificado que vai contratar, de forma temporária, 150 brigadistas de combate a incêndios florestais em parque e unidades de conservação da capital do país. As inscrições podem ser feitas a partir desta quarta-feira (29), na página do Ibram na internet. 

Ao todo, serão seis vagas para supervisores de brigada, 24 para chefes de brigada e 120 vagas de brigadistas de prevenção e combate a incêndios florestais. O cadastro será online e gratuito, e fica aberto até o dia 1° de julho. Haverá ainda a formação de cadastro reserva.

A remuneração mensal para brigadistas é de R$ 2.666,40; para chefes de brigada é de R$ 3.333,00 e para os supervisores de brigada, chega a R$ 3.999,60. Em todos os cargos é exigido diploma ou declaração de participação em curso de Formação de Brigada de Combate a Incêndio Florestal.

Para os cargos de chefe de brigadas e supervisores, é necessário apresentar certificado ou diploma de conclusão do ensino médio e Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria B ou superior. Para os brigadistas de prevenção e combate a incêndios florestais, um dos pré-requisitos é ser pelo menos alfabetizado. Acesse aqui o edital.

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Ao todo, o Ibram gere 82 unidades de conservação espalhadas pelo DF. Os brigadistas temporários poderão trabalhar ainda em outras áreas e em parceria com o Corpo de Bombeiros.

Até o último dia 6 de junho de 2022, o Programa de Monitoramento de Áreas Queimadas nos Parque e Unidades de Conservação (PROMAQ), do Ibram, registrou um total de 106 ocorrências de incêndio florestais e uma área queimada total de pouco mais de 334 hectares. No ano passado, até outubro, foram 542 ocorrências e 2.324 hectares de área queimada no DF. O período mais crítico para a ocorrência de incêndios é justamente durante a estação seca, que vai de maio até meados de outubro. Os meses de agosto e setembro costumam ser os que registram o maior número de ocorrências. 

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Geral

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