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Xangai em lockdown: ‘Paguei quase R$ 300 por carne podre’

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A vida em Xangai em lockdown contra a covid: 'Paguei quase R$ 300 por carne podre'
Reprodução: BBC News Brasil

A vida em Xangai em lockdown contra a covid: ‘Paguei quase R$ 300 por carne podre’

“Paguei 400 yuans (cerca de R$ 300) por duas costeletas de porco podres”, diz Will Liu,  morador de Xangai, em tom exasperado.

Ele conta que comprou o produto pela internet quando estava com fome durante a segunda semana de lockdown na cidade por causa da pandemia de covid-19.

À medida que a China adere à sua estratégia de  “covid zero”, Xangai entrou em sua quinta semana de confinamento na tentativa de erradicar a doença em todo seu território, um centro financeiro e de negócios que abriga 25 milhões de pessoas.

Uma mulher caminha com um punhado de verduras em uma área residencial em 22 de abril de 2022 em Xanga

Getty Images
Os serviços de entrega de alimentos estão sob pressão devido à extensão do lockdown

Seguindo as diretrizes do governo, as pessoas têm que pedir comida e água e esperar pela entrega de vegetais, carne e ovos pelo governo. Mas a extensão do lockdown sobrecarregou os serviços de entrega, sites de mercearias e até a distribuição de suprimentos do governo.

A BBC recebeu inúmeras mensagens públicas e privadas de Xangai sobre dificuldades para obter alimentos e suprimentos médicos desde o início do confinamento.

Serviços de entrega de alimentos sobrecarregados

Will Liu, de 28 anos, é de Taiwan e mora em Xangai há quase sete.

Ele disse ao serviço chinês da BBC que a pandemia não havia feito uma grande diferença em sua vida até o fim de março deste ano.

“As autoridades, então, passaram a estender os cinco dias originais de lockdown para torná-lo cada vez mais longo. A vida de todos virou de cabeça para baixo.”

Will armazenou comida suficiente para cinco dias – a duração do lockdown original que havia sido anunciado. Ele só tem um micro-ondas para cozinhar em casa e, quando o confinamento foi estendido, acabou ficando sem comida.

“Na segunda semana de lockdown, encontrei este site de entrega de comida anunciando ‘Costeletas de porco por 400 yuans (R$ 300)’. Estava morrendo de fome, então fiz uma compra por impulso. Mas tudo o que consegui foram dois pedaços de carne podre. Consegui recuperar meu dinheiro, mas fiquei muito desapontado.”

O Weibo e outras plataformas sociais viram um aumento nas postagens sobre problemas de acesso a alimentos em Xangai desde que o lockdown começou – a princípio parcialmente – em 5 de abril.

Trabalhadores usando equipamentos de proteção separam sacos de legumes e mantimentos dentro de um caminhão para distribuí-los aos moradores durante o bloqueio em Xangai em 5 de abril

Reuters
As 25 milhões de pessoas de Xangai dependem de entregas de legumes e verduras e outros produtos durante o lockdown

“Nossa casa tem pilhas de legumes e nossa geladeira não está funcionando direito, então nossa única opção é colocar esses legumes do lado de fora. Eles estão prestes a apodrecer. Mas temos que fazer isso. Se você não fizer isso, vai morrer de fome”, diz um dos posts.

“Hoje é o 12º dia de confinamento de Puxi [distrito]. Durante esses 12 dias, eu só [consegui] pegar um saco de 10 kg de arroz no Dingdong [serviço de entrega online]. Os moradores ficam muito ansiosos quando não conseguem comida”, diz outro.

Grupos de alimentos da comunidade

“Com quatro ou cinco dias de confinamento, os moradores de cada comunidade começaram a comprar alimentos em grupos e distribuir dentro da comunidade. Todos estão ajudando uns aos outros.”

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Em mensagens enviadas privadamente ao serviço chinês da BBC, os moradores criticaram a resposta do governo à disseminação da variante ômicron na região. Alguns também expressaram sua desaprovação da cobertura da imprensa ocidental.

Will aprendeu alguns truques que, segundo ele, aumentaram sua taxa de sucesso ao pedir comida online.

Will Liu segurando uma pistola de massagem e apontando para ela

Will Liu
Will Liu diz que está usando um dispositivo de massagem para fazer pedidos rapidamente na tela do telefone

Dica de compras online

“Uso uma pistola de massagem para tocar a tela do celular. Ela me permite acessar o aplicativo algumas centenas de vezes por minuto, aumentando a possibilidade de o meu pedido de comida ser efetivado”.

“Eu e meus amigos recebemos ajuda de amigos fora de Xangai para lidar com a escassez de comida. Só fazemos uma refeição por dia agora”

Xangai registrou cerca de 400 mil casos de covid-19 durante o novo surto. O número diário de mortos no domingo, 24 de abril, foi de 39. Muitos eram idosos e pessoas não vacinadas com problemas de saúde subjacentes.

Algumas pessoas questionaram se as restrições estritas são necessárias.

Moradores ficam na rua esperando por um teste de ácido nucleico durante o lockdown em Xangai

Reuters
Longas filas de pessoas esperando por testes de covid se tornaram uma cena comum desde que os testes obrigatórios foram aplicados em abril

‘Os pacientes com câncer estão sofrendo’

Zhang Le (nome alterado para proteger a identidade), professor universitário de 50 anos em Xangai, disse à BBC que acha que pacientes com outras necessidades médicas foram ignorados e que o governo não está seguindo a ciência.

“Moro a cinco ruas dos meus pais, ambos estão na casa dos 80 anos. Comprei alguns alimentos congelados no início [do confinamento]. Eles têm uma cuidadora. Em 1º de abril, a cuidadora conseguiu alguns legumes e verduras do mercado”.

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“Meus pais disseram que receberam quatro entregas de comida até agora. Meus pais e sua cuidadora não estão passando fome, com certeza.”

Tratamento médico a longo prazo

Zhong diz que, embora o acesso a alimentos não seja um problema, ele está preocupado com problemas médicos de longo prazo.

“Meu pai está com muita dor porque não pode ir ao hospital para obter um analgésico específico para sua condição. Ele tem câncer”.

“Já minha mãe toma um remédio para a hipertensão. Mas tampouco pode ir ao hospital para buscar a receita. Por isso, teve de reduzir a dose para não acabar. (No dia 20 de abril), a subprefeitura lhe entregou a receita médica, mas não era o mesmo remédio”.

Funcionários em roupas de proteção brancas atrás de fita na calçada enquanto o tráfego passa por eles

Getty Images
Mais de 10.000 profissionais de saúde, juntamente com 2.000 médicos militares, foram enviados a Xangai para realizar testes em massa e programas de vacinação

Preocupações com testes obrigatórios

Zhong diz estar preocupado com o fato de seus pais fazerem fila com outras pessoas para testes obrigatórios.

“Entre 1º e 21 de abril, fomos testados 15 vezes. Estava muito preocupado que meus pais fossem infectados por esperar em filas longas. Vídeos que circulam na internet mostram os funcionários fazendo swabs em várias pessoas sem trocar ou desinfetar suas luvas. Não poderia haver contaminação cruzada das pessoas e dos kits de teste?”, pergunta.

“Pedi a meus pais que não fossem fazer fila para o teste, mas eles não queriam ser presos por isso. Na semana passada, a equipe de testes concordou em fazer visitas domiciliares e eles já estiveram na casa dos meus pais uma vez.”

Não são apenas seus pais que estão deixando Zhong preocupado.

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“Meu primo passou por uma operação de câncer de fígado há quatro meses e descobriu outro tumor. Mas ele não está fazendo nenhuma consulta de acompanhamento porque todos os profissionais médicos estão trabalhando para prevenir as pessoas da infecção [covid]”.

“O acesso a alimentos e a quarentena não me preocupam, o que mais temo é que os pacientes não consigam tratamento e remédios”.

Ele diz acreditar que o governo está arriscando vidas desnecessariamente.

“Acho estúpido que todos os recursos tenham sido usados para conter esse vírus semelhante ao da gripe. Em outros países, os governos seguem os cientistas. Neste país, os cientistas seguem o governo. Pessoas com problemas médicos reais estão sofrendo.”

Um homem em uma cama de hospital com uma longa fila de pessoas na fila para deixar o hospital

EPA
Pessoas que testaram negativo duas vezes fazem fila para deixar um hospital temporário para pessoas positivas para covid em Xangai
Um oficial usando uma máscara gesticula para uma mulher de meia-idade enquanto ela entra em um ônibus segurando uma grande sacola plástica com pertences

Getty Images
Will diz que seu maior medo não é ser infectado, mas ser enviado para o “hospital improvisado de fang cang”

Hospitais improvisados de Fang Cang

Todos os moradores locais devem ser testados regularmente seguindo determinação das autoridades públicas.

Se você tiver um diagnóstico positivo, será enviado para Fang Cang, um hospital improvisado administrado pelo governo, com uma quarentena obrigatória de pelo menos duas semanas.

Muitas pessoas usaram as redes sociais para desabafar sua frustração e raiva. Vídeos que parecem mostrar pessoas cantando por suprimentos de comida ou pedindo remédios estão circulando na internet.

Como muitos comentários postados online, Will Liu diz que seu maior medo não é ser infectado com covid, mas ser enviado para Fang Cang.

Um post do Weibo em chinês sobre o que aconteceu em Fang Cang - um hospital móvel administrado pelo governo para quarentena de Covid

WeiBo
Um post do Weibo sobre o que aconteceu em Fang Cang – um hospital improvisado administrado pelo governo para quarentena de covid

‘Traga seu próprio remédio’

No Weibo, plataforma de mídia social semelhante ao Twitter da China, postagens e fotos sobre Fang Cang em Xangai vêm aumentando desde o início do lockdown.

Um post recente de uma pessoa que alega ser um profissional médico atuando em Fang Cang foi bastante crítico ao governo.

“As pessoas têm perguntado que tipo de tratamento Fang Cang está oferecendo. Eu também estava curioso no começo. Quando entrei, não me senti mal; não senti que precisava de nenhum remédio. No dia seguinte, a enfermeira deu a todos uma caixa de [um medicamento tradicional chinês que se diz ser eficaz na infecção por covid]. Não tomei nenhum.’

“No terceiro dia, uma garotinha na minha frente pegou um resfriado durante o banho. Ela estava com febre à noite. Disse a sua mãe que a menina deveria tomar um remédio para febre, mas a enfermeira disse que não tinha. Graças a Deus eu trouxe alguns comigo, dei um pouco para a garotinha”.

“No quarto dia, deram-nos dois sacos de medicina tradicional chinesa. Percebi que não havia informações sobre ingredientes e possíveis efeitos colaterais. Apenas os deixei de lado…

Ele tem alguns conselhos simples para quem entra em quarentena.

“Sugiro que se você tiver algum sintoma quando estiver sendo enviado para Fang Cang , traga seu próprio remédio para febre, só por precaução. Não devemos confiar em ninguém, apenas em nós mesmos.”


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Fonte: IG SAÚDE

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Polícia prende suspeitos de assassinar perito papiloscopista

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu ontem (15) quatro suspeitos de envolvimento no assassinato do perito papiloscopista da Polícia Civil Renato Couto de Mendonça, que era lotado no Instituto de Identificação Félix Pacheco (IIFP). Entre os presos, dois são sargentos e um é cabo da Marinha.

Os quatro foram presos em flagrante, mas o corpo ainda não foi encontrado. A suspeita é que tenham sido jogado no Rio Guandu, em Japeri, na Baixada Fluminense. A corporação está fazendo buscas no local.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, a vítima teve uma desavença com o dono de um ferro-velho na Praça da Bandeira, zona norte do Rio de Janeiro. O filho do proprietário, que é militar da Marinha, sequestrou o agente com a ajuda de colegas, utilizando uma viatura da Marinha.

Os presos serão autuados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Em nota, a Marinha do Brasil informou que tomou conhecimento da ocorrência com uma vítima fatal na noite de sábado (14), envolvendo militares da ativa do Comando do 1º Distrito Naval. Segundo a Marinha, o caso é objeto de inquérito policial no âmbito da Justiça comum.

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“Os militares envolvidos foram presos em flagrante pela polícia e responderão pelos seus atos perante a Justiça. A Marinha do Brasil lamenta o ocorrido, se solidariza com os familiares da vítima e reitera seu firme repúdio a condutas e atos ilegais que atentem contra a vida, a honra e os princípios militares”.

A Marinha informou também que está colaborando com as investigações e abriu um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias da ocorrência.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Geral

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